âmago da escrita

 Não esclareço as entrelinhas da minha escrita, pois no finito abstrato dos significados, camuflo minha vulnerabilidade.


Meus poemas se diferem da realidade como um todo, se decifrar por um relance, uma dor embutida em um sinônimo enfeitado, peço que não se assuste. 


A verdade é que, agora dizendo com palavras esclarecidas, minhas dores são feitas de palavras, construídas de tinta, marcadas em papel, e soletradas em sonetos.


Das dores que me rastreiam, me martirizam e me atormentam, surgem as palavras que moldam minha própria literatura, e que enchem meu pulmão de ar.


Essa relação entre Isadora e palavras, não é algo novo, nem algo inventado, esteve comigo desde os primórdios da lucidez, gosto assim de pensar.


Que não escrevo para agradar, não escrevo para um público e nem mesmo para mim, não escrevo porque gosto, escrevo pelo motivo não tão simples, nem tão pragmático e incontestável.


Escrevo porque preciso.


Tornou-se necessidade a pouco tempo, quando de adiciona mais janeiros em calendários próprios, torna-se necessário um escape da crueldade do viver. 




Comentários

  1. ficou mto bom! vc deveria se inscrever em antologias pra publicar seus textos, tenho ctz que seria aprovada na hora!!!

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  2. Muito obrigada pelo feedback! vou procurar me informar sobre essas antologias, fiquei interessada.

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