desvencilhando-me da monotonia cotidiana

 Desvencilhando-me da monotonia da vida, resgatando o ar gastado que uma hora passara pelos meus pulmões, emociono-me na profundidade da vida e nas relações que cultivo em decorrência desse afeto que possuo guardado no peito. A aparente velhice começa a aparentar ser um escape das responsabilidades cotidianas e logo surge essa vontade intrínseca de me ausentar socialmente, me abster das afetividades humanas. 

Num feixe de luz que transpassa pela minha janela, absorvo esse calor que ilumina meus ossos e esquenta minha pele, ela traz toda a sabedoria que em minha tolice penso a possuir, sabedoria inata essa inexistente. 

Essa sensatez que falta no meu eu ignorante do ser e ser ativo, é notável e pareço nunca alcançar o que me é cobrado e designado a realizar, desmascaro toda essa tentativa falha da perfeição no meu agir inerente a sociedade, me abstendo das expectativas alheias, focando numa verdade interior que pode ou não ser real. 

Verdade essa que move minha pessoa em direções não convencionais, mesmo em diagonal chego em resultados, não óbvios e costumeiros, mas ainda bons, até o dado momento em que um ser de alma limpa e correta tropeça em meu caminho, fazendo-me duvidar da veracidade da minha verdade. 

Mas logo recordo-me que foi me ofertado uma vida somente e não possuo dono, sou ser livre e rebelde e sigo para o plano astral sozinha. A vida pode sim ser vivida em dupla, mas quem sentirá minhas dores a não ser eu, por isso decido viver solo e levar minha escrita comigo, pois posso viver sem o maldito dinheiro, mas nunca sem a minha poesia. 

 


A vida nos fez espiritos de arte, mas a industria nos come.

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