Is it better to speak or to die?
Quando o cativante Elio escuta a pergunta feita pela mãe, tirada de um livro de contos, não pude deixar de aguçar meus ouvidos e dar mais atenção à simples frase que compõe uma filosofia tão profunda. “Is it better to speak or to die?” Seria melhor falar ou morrer? Morrer na quietude do silêncio, morrer tendo muito a ser dito, morrer sem ter tido a dádiva da fala. Elio faz a pergunta para o seu amante, o qual questiona: “Então, ele fala?” Elio termina dizendo “não”.
Quando deito minha cabeça no travesseiro, esperando o sono me abraçar, vêm-me à mente percepções que só são bem-vindas na calmaria da noite, pois, na turbulência do dia a dia, a ansiedade toma conta dos meus pensamentos. Assim, na quietude da noite, podendo finalmente ter a tão esperada hora de organizar a mente, essa pergunta me vem à cabeça e tira meu sono. O que tanto me cala? O cavaleiro do livro da mãe de Elio se arrepende de não ter falado?
No decorrer do dia a dia, não percebemos as escolhas que fazemos. Nossas escolhas são repentinas e automáticas; as coisas que gostaríamos de dizer, o que deixamos de dizer e por que deixamos — tudo cai na lembrança. Mas, no fim, sempre volta à memória. E é comum pensar que poderia ter se saído melhor, sendo uma questão individualista ou que envolve terceiros.
Ao meu ver, a escolha de não dizer o que pensa está relacionada com o conforto do silêncio. Não dizer o que precisa ser dito para evitar conflitos, para não assumir uma paixão ou, então, escolher ser levado com o mar de gente, com opiniões simplórias e fúteis na maioria das vezes. No longa-metragem, mostra-se explicitamente o amor silencioso de Elio. Ele não expressa seu amor, mas não é algo oculto ou talvez um segredo — bem, ao menos para nós, espectadores, é isso o que é mostrado. O longa possui um ritmo lento, mas que se mostra nada entediante para os interessados; talvez seja a cinematografia que encante o público. A pequena cidadela localizada na Itália traz uma nostalgia daquilo que pode nem ter sido vivido. Os anos 80 trazem um figurino único, e a verdade dos personagens faz a trama ficar ainda mais bela.
O sentimento que a vida silenciosa de Elio traz me é comum no dia a dia. Posso tentar descrevê-lo, mas não sei se conseguiria fazer jus a tamanha sensação, mas posso ao menos tentar : um sentimento de vergonha mesclado com a ignorância do não saber, a vontade de se explicar, mas não saber por onde começar; de se importar, mas não poder demonstrar.
No fim, Elio confessa sua paixão e pode desfrutar do amor por um período limitado de tempo, amor no qual ambos sabiam que teria um fim doloroso. Não podiam deixar de viver enquanto era tempo — afinal, um amor limitado ainda é um amor verdadeiro. Mas a questão é que Elio escolhe arriscar e falar. Ao meu ver, o mesmo não se arrepende de sua decisão. Ele escolhe falar o que sente e lida com o que vem a seguir; não foge da dor após a partida de seu amado e a usa para se curar.
Assim como Elio escolhe a felicidade acima da incerteza, me encorajo a escrever — pois não sou boa com palavras ditas.
𝒔𝒐𝒃𝒓𝒆 𝒆𝒔𝒄𝒐𝒍𝒉𝒂𝒔, 𝒖𝒎 𝒂𝒎𝒐𝒓 𝒔𝒊𝒏𝒄𝒆𝒓𝒐 𝒆 𝒖𝒎 𝒂𝒅𝒆𝒖𝒔 𝒂𝒎𝒂𝒓𝒈𝒐.


Linda resenha, meu amor 🫶
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ResponderExcluirMelancolicamente bonito, enfim, arte
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